quarta-feira, 4 de maio de 2016

Seu filho bateu a cuca? Calma...

Repouso completo depois concussão sem sintomas pode não ser o melhor para a recuperação




Novo estudo descobriu que os jovens que praticaram exercício no prazo de sete dias desde a lesão na cabeça tinham quase a metade da taxa de sintomas pós-concussão persistentes de um mês depois.
Repouso tem sido a pedra angular do tratamento concussão. Para ferimentos na cabeça relacionadas com o desporto, por exemplo, as diretrizes atuais dizem que as crianças devem evitar voltar a jogar - e toda outra atividade física - até que todos os sintomas de concussão, tais como dores de cabeça desapareceram.

Contrariamente às recomendações, disseram pesquisadores, a maioria (58 por cento) das crianças ainda sentindo sintomas de concussão retomaram o exercício uma semana depois, e mais de três quartos (76 por cento) estavam fisicamente ativos duas semanas depois. Normalmente a descoberta de que tantos pacientes não estavam seguindo orientações médicas rigorosas poderia ser motivo para alarme. Mas, neste caso, os investigadores disseram, a não conformidade foi associada a uma recuperação mais rápida.


Veja mais

The incessant search for the Higgs boson

If found what to expect of it?

The news that China will build the largest particle accelerator in the world caught the attention of physicists and cosmologists.
In Brazil the first news was published in China News on October 29, 2015 and on the same day replicated in other specialized media.
"China will build between 2020 and 2025 the largest particle accelerator in the world, which will allow scientists to better understand the workings of the universe.
"The design will be completed before 2016," told Wang Yifang, director of the Institute of Physics and High Energy, under the Chinese Academy of Sciences to China Daily.
If the Chinese project succeed, it will be at least twice bigger than the Large Hadron Collider (LHC) of the European Laboratory for Physics Particle (CERN), located on the border between France and Switzerland.
In 2012, the LHC confirmed the existence of the so-called Higgs boson, the elementary particle considered key in the fundamental structure of matter.
According to Wang Yifang, "the LHC generates Higgs bosons along with many other particles, but in the future the Chinese collider will create an extremely pure environment that only produce Higgs bosons".
The new facility will generate up to seven times more energy than the CERN, which has just almost double its power. "

Why this whole frenzy to find and describe this possible particle?

A busca incessante pelo Bósson de Higgs

A busca incessante pelo Bósson de Higgs


Se existir mesmo, o que se espera dele?
A notícia de que a China vai construir o maior acelerador de partículas do mundo chamou a atenção de físicos e cosmólogos.
No Brasil a primeira notícia foi publicada no China News em 29 de outubro de 2015 e, no mesmo dia replicada em Exame.
“A China vai construir entre 2020 e 2025 0 maior acelerador de partículas do mundo, que deverá permitir aos cientistas conhecer melhor o funcionamento do Universo.
"A concepção estará terminada antes de 2016", declarou ao jornal China Daily Wang Yifang, diretor do Instituto de Física e Altas Energias, subordinado à Academia de Ciências chinesa.
Se o projeto chinês vingar, será no mínimo duas vezes maior do que o Grande Colisor de Hadróns (LHC) do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), instalado na fronteira entre a França e a Suíça.

Em 2012, o LHC permitiu confirmar[1] a existência do chamado Bóson de Higgs, a partícula elementar considerada chave na estrutura fundamental da matéria.
Segundo Wang Yifang, "o LHC gera bósons de Higgs junto a inúmeras outras partículas, mas no futuro o colisor chinês criará um ambiente extremadamente puro que só produzirá Bósons de Higgs".
A nova instalação poderá gerar até sete vezes mais energia que o CERN, que acaba de quase dobrar sua potência”.

Porque este assanhamento todo para encontrar e descrever esta possível partícula?


Physics, yesterdays certainties, present and forever uncertainties

Science has undergone profound critique and epistemological analysis[1] from the early twentieth century.
Its most relevant and recognized philosopher is Karl Popper; his conception, the critical rationalism, is concerned primarily with issues related with the theory of knowledge, or epistemology.
Still in Austria, in 1934, he published his first book, “Logic der Forschung”, which constituted a critique of the logical positivism of the Vienna Circle, defending the idea that all knowledge is fallible and correctable, virtually provisional.
The scientific methodology has its origin in the thought of Descartes, which was later developed empirically by the English physicist Isaac Newton. Descartes proposed to arrive at the truth through systematic doubt and decomposition of the problem into small pieces[2], characteristics that will define the basis of scientific research. Understanding the simplest systems, gradually incorporating more and more variables, searching the description of the whole.
The Vienna Circle added to these principles the need for verification and the inductive method.
Karl Popper has shown that neither verification nor alone induction served the purpose in question - to understand the reality as it is and not as one would like it was - because the scientist must work with the distortion, that is, should do a hypothesis and test it looking not only evidence that it’s right, but rather evidence that it is wrong. If the hypothesis does not stand the test, it is said that it was distorted. If not, it is said that was corroborated. Popper also said that science is a temporary knowledge that works through successive falsifications. One never proves a scientific theory.
Thomas Kuhn realized that paradigms are essential elements of the scientific method, and the paradigm shift times are called scientific revolutions.
The scientific method is constructed so that science and its theories evolve over time.
And what is time?
Well, this is a topic, physical and philosophical that will be part of new chapters...

[1] It Worth also read this excellent Stanford’s paper The Analysis of Knowledge - http://plato.stanford.edu/entries/knowledge-analysis/

[2] Today commonly used in layman verbiage as "Jack Method".

Física - Certezas de ontem, incertezas de hoje e sempre


A ciência tem sido submetida a profunda análise crítica e epistemológica[1] desde o início do século XX.

Seu filósofo mais relevante e reconhecido é Karl Popper; sua concepção, o racionalismo crítico, ocupa-se primordialmente de questões relativas à teoria do conhecimento, à epistemologia[2].

Ainda na Áustria, em 1934, foi publicado o seu primeiro livro, Logic der Forschung (A Lógica da Pesquisa Científica, na versão brasileira), que se constituiu em uma crítica ao positivismo lógico do Círculo de Viena, defendendo a concepção de que todo o conhecimento é falível e corrigível, virtualmente provisório.

A metodologia científica tem sua origem no pensamento de Descartes, que foi posteriormente desenvolvido empiricamente pelo físico inglês Isaac NewtonDescartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes[3], características que definiram a base da pesquisa científica. Compreendendo-se os sistemas mais simples, gradualmente se incorporam mais e mais variáveis, em busca da descrição do todo.

Círculo de Viena acrescentou a esses princípios a necessidade de verificação e o método indutivo[4].

Karl Popper demonstrou que nem a verificação nem a indução sozinhas serviam ao propósito em questão - o de compreender a realidade conforme esta é e não conforme gostar-se-ia que fosse - pois o cientista deve trabalhar com o falseamento, ou seja, deve fazer uma hipótese e testar suas hipóteses procurando não apenas evidências de que ela está certa, mas sobretudo evidências de que ela está errada. Se a hipótese não resistir ao teste, diz-se que ela foi falseada. Caso não, diz-se que foi corroborada[5]. Popper afirmou também que a ciência é um conhecimento provisório, que funciona através de sucessivos falseamentos. Nunca se prova uma teoria científica.

Thomas Kuhn percebeu que os paradigmas são elementos essenciais do método científico, sendo os momentos de mudança de paradigmas chamados de revoluções científicas.

O método científico é construído de forma que a ciência e suas teorias evoluam com o tempo.

E o que é o tempo?

Bem, isto é um tema, físico e filosófico que fará parte de novos capítulos...














[1] Vale ler o excelente trabalho The Analysis of Knowledge - http://plato.stanford.edu/entries/knowledge-analysis/
[2] Reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento.
[3] Hoje geralmente usado no palavreado leigo como “Método Jack”.
[4] Método indutivo ou indução é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares, conclui uma verdade geral. A indução, ao contrário da dedução, parte de dados particulares da experiência sensível.
[5] Para Heráclito tudo está em movimento. 
Ora, se questiona Platão, se tudo está em movimento, no momento mesmo em que se determina algo, este já mudou, já se transformou e, com isso, o conhecimento torna-se impossível! Da mesma forma, se só existem verdades subjetivas, particulares ou relativas, a própria Ideia de verdade não existe absolutamente, o que também impossibilita o erro, portanto, o conhecimento.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Hiperespaço - Teoria e aventura em termos leigos.



Aqui colo o Prefácio do livro Hiperespaço (Hyperspace) que você pode comprar em papel ou em eBook na Amazon, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, e outras e, a preço bem baixo, na Estante Virtual (http://www.estantevirtual.com.br/busca?q=Hiperespa%E7o+Michio+Kaku).

Tenho certeza que você, depois de lê-lo, vai querer ler o livro inteirinho, sem parar! 




Prefácio 

As revoluções científicas, quase que por definição, contestam o senso comum.

Se todas as nossas noções de senso comum sobre o universo fossem corretas, a ciência teria decifrado os segredos do universo há milhares de anos. O propósito da ciência é remover a camada da aparência dos objetos para revelar sua natureza subjacente. De fato, se aparência e essência fossem a mesma coisa, não haveria necessidade de ciência.

Talvez a noção de senso comum mais profundamente arraigada acerca de nosso mundo seja a de que ele é tridimensional. Nem é preciso dizer que comprimento, largura e profundidade são suficientes para se descrever todos os objetos de nosso universo visível. 

Experimentos realizados com bebês e animais mostraram que nascemos com um senso inato de que nosso mundo é tridimensional. Se incluirmos o tempo como uma outra dimensão, quatro dimensões são suficientes para o registro de todos os eventos no universo. Não importa onde nossos instrumentos tenham penetrado, desde as profundezas do átomo até os mais remotos confins do aglomerado galáctico, só encontramos evidência dessas quatro dimensões. 

Afirmar publicamente outra coisa, sugerir que pode haver outras dimensões ou que nosso universo pode coexistir com outras, é provocar certa zombaria. 

No entanto, essa ideia preconcebida e profundamente arraigada sobre nosso mundo, surgida pela primeira vez das especulações dos antigos filósofos gregos dois milênios atrás, está prestes a sucumbir ao progresso da ciência.

Este livro trata de uma revolução científica criada pela teoria do hiperespaço que afirma a existência de dimensões além das quatro de espaço e tempo comumente aceitas. 

Há um crescente reconhecimento entre físicos do mundo inteiro, entre os quais vários contemplados com o prêmio Nobel, de que o universo pode realmente existir num espaço de maior número de dimensões. Se sua correção for provada, essa teoria irá criar uma profunda revolução conceitual e filosófica em nossa compreensão do universo. 

Nos meios científicos, a teoria do hiperespaço é conhecida como teoria Kaluza-Klein e supergravidade. 

Sua formulação mais avançada, porém, é chamada de teoria das supercordas, a qual chega a prever o número preciso de dimensões: dez. As três dimensões habituais do espaço (comprimento, largura e profundidade) e uma de tempo são agora acrescidas de seis outras dimensões espaciais.

Advertimos que a teoria do hiperespaço ainda não foi experimentalmente confirmada e que, de fato, seria extraordinariamente difícil prová-la em laboratório. 

No entanto, a teoria já empolgou os mais importantes laboratórios de física do mundo e alterou irreversivelmente a paisagem científica da física contemporânea, gerando um assombroso número de artigos de pesquisa na literatura científica (mais de cinco mil, segundo um cálculo). 

No entanto, quase nada foi escrito para explicar ao público leigo as fascinantes propriedades do espaço com maior número de dimensões. Em consequência, o grande público tem apenas uma vaga ideia, se é que tem alguma, dessa revolução. 

De fato, as referências superficiais a outras dimensões e universos paralelos feitas na cultura popular são frequentemente enganosas. 

Isso é lamentável porque a importância da teoria reside em seu poder de unificar todos os fenômenos físicos conhecidos numa estrutura espantosamente simples. 

Este livro torna disponível pela primeira vez, uma exposição cientificamente fundamentada, acessível, da fascinante pesquisa atual sobre o hiperespaço.

Para explicar por que a teoria do hiperespaço gerou tanto entusiasmo no mundo da física teórica, desenvolvi quatro temas fundamentais que atravessam todo este livro como um fio- Estes quatro temas dividem o livro em quatro partes.

Na Parte I, desenvolvo os primórdios da teoria do hiperespaço, enfatizando a ideia de que as leis da natureza se tornam mais simples e mais precisas quando expressas em maior número de direções. 

Para compreender como o acréscimo de mais dimensões pode simplificar problemas físicos, considere o seguinte. 
Para os egípcios antigos, o tempo era um mistério completo. O que causava as estações? Por que a temperatura era mais alta quando viajavam para o sul? Por que os ventos sopravam geralmente de uma só direção? Era impossível explicar o tempo a partir da posição dos egípcios antigos, para os quais a Terra parecia ser chata, como um plano bidimensional. 

Mas agora imagine enviar os egípcios num foguete para o espaço exterior, onde possam ver a Terra em sua simplicidade e inteireza em sua órbita em torno do Sol. De repente, as respostas para essas perguntas se tornam óbvias.

A partir do espaço cósmico, é evidente que o eixo da Terra está inclinado cerca de 23 graus da vertical (a "vertical" sendo a perpendicular ao plano da órbita da Terra em torno do Sol). 
Por causa dessa inclinação, o hemisfério norte recebe muito menos luz solar durante uma parte de sua órbita que durante outra parte. Por isso temos inverno e verão. 
E como o equador recebe mais luz solar que as regiões polares norte e sul, a temperatura se eleva à medida que nos aproximamos do equador. 
Da mesma maneira, como a Terra gira no sentido anti-horário para alguém postado no polo norte, o frio ar polar dá uma guinada ao se mover rumo ao sul em direção ao equador. O movimento das massas de ar quentes e frias, desencadeado pela rotação da Terra, ajuda assim a explicar por que os ventos sopram geralmente numa só direção, dependendo de onde você esteja na Terra.

Resumindo, as leis um tanto obscuras que regem o tempo são de fácil compreensão desde que vejamos a Terra a partir do espaço. 
A solução para os problemas consiste, portanto, em subir no espaço, rumo à terceira dimensão. 
Fatos que são impossíveis de compreender num mundo plano tornam-se subitamente óbvios quando se vê uma Terra tridimensional.

De maneira análoga, as leis da gravidade e da luz parecem totalmente dessemelhantes. Elas obedecem a pressupostos físicos e a matemáticas diferentes. 
As tentativas de reunir essas duas forças sempre fracassaram. 
No entanto, se acrescentamos uma dimensão a mais, uma quinta dimensão, às quatro dimensões anteriores de espaço e tempo, as equações que governam a luz e a gravidade parecem se encaixar como duas peças de um quebra-cabeça. 

De fato, a luz pode ser explicada como vibrações na quinta dimensão. Dessa forma, vemos que as leis da luz e da gravidade se tornam mais simples em cinco dimensões.

Consequentemente, muitos físicos estão agora convencidos de que uma teoria quadridimensional convencional é "pequena demais" para descrever adequadamente as forças que comandam nosso universo. Numa teoria quadridimensional, os físicos têm de espremer as forças da natureza de uma maneira desajeitada, artificial. Além disso, essa teoria híbrida é incorreta. 

Quando nos expressamos a partir da posição dos egípcios antigos, para os quais a Terra parecia ser chata, como um plano bidimensional, é mais do que impossível explicar o tempo

Na Parte II, elaboramos mais essa ideia simples, enfatizando que a teoria do hiperespaço pode ser capaz de unificar todas as leis da natureza conhecidas numa única teoria. 

Assim a teoria do hiperespaço pode vir a ser a realização que coroará dois milênios de investigação científica: a unificação de todas as forças físicas conhecidas. Ela pode nos dar o Santo Graal da física, a "teoria de tudo" que escapou a Einstein por tantas décadas.

Neste último meio século, os cientistas deram tratos à bola para entender por que as forças básicas que mantêm o cosmo coeso — gravidade, eletro magnetismo e as forças nucleares forte e fraca — diferem tanto. 

Tentativas feitas pelos mais extraordinários cérebros do século XX para fornecer um quadro unificador de todas as forças conhecidas falharam. A teoria do hiperespaço, contudo, abre a possibilidade de se explicar as quatro forças da natureza, bem como o conjunto aparentemente aleatório das partículas subatômicas de uma maneira verdadeiramente precisa. 

Na teoria do hiperespaço, a "matéria" também pode ser vista como as vibrações que se encrespam através do tecido do espaço e tempo. 

Disto se segue a fascinante possibilidade de que tudo que vemos à nossa volta, das árvores e montanhas às próprias estrelas, nada mais sejam que vibrações no hiperespaço. Se for verdade, isso nos dá um meio preciso, simples e geométrico de fornecer uma descrição coerente e incontestável de todo o universo.

Na Parte III, exploramos a possibilidade de que, sob circunstâncias extremas, o espaço possa ser esticado até se rasgar ou romper. Em outras palavras, o hiperespaço pode fornecer um meio de cavar um túnel através do espaço e tempo. 

Embora enfatizemos que isto ainda é extremamente especulativo, os físicos estão analisando seriamente as propriedades dos "buracos de minhoca", de túneis que ligam partes distantes do espaço e tempo.
 
Físicos que trabalham no California Institute of Technology, por exemplo, propuseram seriamente a possibilidade de se construir uma máquina do tempo que consistiria em um buraco de minhoca que conectaria o passado com o futuro. Hoje as máquinas do tempo já deixaram o reino da especulação e da fantasia e se tornaram campos legítimos de pesquisa científica.

Cosmólogos chegaram mesmo a propor a possibilidade sensacional de que nosso universo seja apenas um em meio a um número infinito de universos paralelos. Esses universos poderiam ser comparados a um vasto conjunto de bolhas de sabão suspensas no ar. 
Normalmente, o contato entre esses universos-bolha é impossível, mas, analisando as equações de Einstein, Cosmólogos mostraram que poderia existir uma rede de buracos de minhoca, ou tubos, que conectariam esses universos paralelos. 


Em cada bolha, podemos definir nosso próprio espaço e tempo distintivos, que só têm sentido em sua superfície; fora dessas bolhas, espaço e tempo não têm sentido algum.

Embora muitas consequências dessa discussão sejam puramente teóricas, a viagem no hiperespaço pode acabar por propiciar a mais prática de todas as aplicações: salvar vida inteligente, inclusive a nossa, da morte do universo. 

Os cientistas estão totalmente convencidos de que o universo terminará por morrer, e com ele toda a vida que evolveu ao longo de bilhões de anos. 

Por exemplo, segundo a teoria prevalecente, chamada Big Bang, uma explosão cósmica ocorrida de 15 bilhões a 20 bilhões de anos atrás fez o universo se expandir, arremessando estrelas e galáxias para longe de nós com grandes velocidades.

No entanto, se um dia o universo parar de se expandir e começar a se contrair, ele acabará sucumbindo num cataclismo abrasador, chamado o Big Crunch, ou Grande Esmigalhamento, em que toda vida inteligente será vaporizada por fantástico calor. 


Alguns físicos, contudo, conjeturaram que a teoria do hiperespaço talvez forneça a única esperança possível de um refúgio para a vida inteligente. Nos últimos segundos da morte de nosso universo, a vida inteligente poderia escapar ao colapso fugindo para o hiperespaço.

Na Parte IV, concluímos com uma questão prática, final: se a teoria do hiperespaço se provar correta, quando seremos capazes de utilizar sua força? 

Esta não é uma questão meramente acadêmica, porque, no passado, a utilização de apenas uma das quatro forças fundamentais transformou irreversivelmente o curso da história humana, alçando-nos da ignorância e da miséria das antigas sociedades pré-industrializadas para a civilização moderna. 

Em certo sentido, até o vasto percurso da história humana pode ser visto sob uma nova luz, em termos do progressivo domínio de cada uma das quatro forças. 

A história da civilização sofreu uma profunda mudança à medida que cada uma dessas forças foi descoberta e controlada.

Por exemplo, ao formular as leis clássicas da gravidade, Isaac Newton desenvolveu a teoria da mecânica, que nos deu as leis que governam as máquinas. 
Isso, por sua vez, acelerou enormemente a Revolução Industrial, que desencadeou forças políticas que acabaram por derrubar as dinastias feudais da Europa. 

Em meados da década de 1860, quando formulou as leis fundamentais da força eletromagnética, James Clerk Maxwell inaugurou a Idade Elétrica, que nos deu o dínamo, o rádio, a televisão, o radar, os aparelhos eletrodomésticos, o telefone, o forno de microondas, aparelhos de som e videocassete, o computador eletrônico, os lasers e muitas outras maravilhas eletrônicas. 
Sem a compreensão e a utilização da força eletromagnética, a civilização teria estagnado, congelada num tempo anterior ao da descoberta da lâmpada e do motor elétrico. 

Em meados da década de 1940, quando a força nuclear foi utilizada, o mundo virou mais uma vez de cabeça para baixo com o desenvolvimento das bombas atômica e de hidrogênio, as mais destrutivas armas sobre o planeta. 

Como não estamos no limiar de uma compreensão unificada de todas as forças cósmicas que governam o universo, podemos prever que qualquer civilização que domine a teoria do hiperespaço se tornará senhora do universo.

Como a teoria do hiperespaço é um corpo bem definido de equações matemáticas, podemos calcular com precisão a energia necessária para torcer o espaço e o tempo num nó ou para criar buracos de minhoca ligando partes distantes de nosso universo. 

Infelizmente, os resultados são decepcionantes. A energia requerida excede em muito tudo que nosso planeta pode reunir. De fato, a energia é um quatrilhão de vezes maior que a energia de nossos maiores aceleradores de partículas. 
Teremos de esperar séculos ou mesmo milênios até que nossa civilização desenvolva a competência técnica para manipular o espaço-tempo, ou depositar nossas esperanças num contato com uma civilização avançada que já tenha dominado o hiperespaço. 

O livro termina, portanto, explorando a questão científica intrigante, mas especulativa de qual seria o nível de tecnologia necessário para que pudéssemos nos tornar senhores do hiperespaço.

Como a teoria do hiperespaço nos leva para muito além das concepções normais, de senso comum, do espaço e tempo, espalhei por todo o texto algumas histórias puramente hipotéticas. 

Fui inspirado a utilizar essa técnica pedagógica pela preleção do ganhador do prêmio Nobel Isidor I. Rabi diante de uma plateia de físicos. 

Ele lamentou o estado calamitoso da educação científica nos Estados Unidos e repreendeu a comunidade dos físicos por negligenciar seu dever na popularização da aventura da ciência para o grande público e especialmente para os jovens. 
Na verdade, ele advertiu, os escritores de ficção científica haviam feito mais para comunicar o romance da ciência que todos os físicos somados.
Num livro anterior, Beyond Einstein: The Cosmic Quest for the Theory of the Universe (em co-autoria com Jennifer Trainer), investiguei a teoria das supercordas, descrevi a natureza das partículas subatômicas e discuti detidamente o universo visível e como todas as complexidades da matéria poderiam ser explicadas por minúsculas cordas vibrantes. 

Neste livro, expandi-me sobre um tema diferente e explorei o universo invisível — isto é, o mundo da geometria e do espaço-tempo. 

O foco deste livro não é a natureza das partículas subatômicas, mas o mundo multidimensional em que elas provavelmente vivem. 

No processo, os leitores verão que o espaço multidimensional, longe de ser um pano de fundo passivo e vazio contra o qual os quarks desempenham seus eternos papéis, torna-se realmente o ator central no drama da natureza.

Ao discutir a fascinante história da teoria do hiperespaço, veremos que a busca da natureza última da matéria, iniciada pelos gregos há dois milênios, foi longa e tortuosa. 

Quando o capítulo final dessa longa saga for escrito por futuros historiadores da ciência, eles poderão sem dúvida registrar que o avanço decisivo foi a derrota das teorias de três ou quatro dimensões fundamentadas no senso comum e a vitória da teoria do hiperespaço.

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